Peças para tratores agrícolas em ferro fundido: durabilidade no campo​

Peças para tratores agrícolas em ferro fundido: durabilidade no campo

Guia técnico completo sobre peças para tratores agrícolas em ferro fundido: durabilidade no campo para profissionais da indústria metalúrgica. Informações atualizadas com especificações, normas e aplicações industriais.

Principais componentes de tratores agrícolas em ferro fundido

Os tratores agrícolas dependem de componentes estrutural e funcionalmente fabricados em ferro fundido para suportar as condições extremas de trabalho no campo, que combinam cargas mecânicas elevadas, vibração constante, exposição a intempéries e contato com solo abrasivo. Entre os principais componentes, os blocos de motor e os cabeçotes são fundidos em ferro fundido cinzento GG25 (EN-GJL-250), aproveitando a excelente condutividade térmica do material — aproximadamente 50 W/mK, cerca de 2,5 vezes superior à do aço — que permite dissipação eficiente do calor gerado pela combustão interna. As carcaças de transmissão e diferenciais, igualmente em ferro cinzento GG20 ou GG25, beneficiam-se da capacidade de amortecimento de vibração do material para reduzir o ruído do acionamento das engrenagens. Os suportes estruturais do chassi, como os braços de levante hidráulico e suportes de eixo dianteiro, migraram do aço fundido para o ferro nodular GGG50 ou GGG60 nas últimas duas décadas, permitindo redução de peso combinada com ganho de resistência à fadiga.

Componentes de desgaste programado, como as camisas de cilindro, são produzidos em ferro fundido perlitico ligado ao molibdênio (0,3% a 0,5% Mo) e cromo (0,3% a 0,5% Cr), com dureza superficial entre 240 e 300 HB e estrutura de grafita tipo A (norma ASTM A247) para melhor retenção de óleo. Os volantes de motor e discos de embreagem também são peças clássicas de ferro fundido: o volante é fabricado em GG25 com balanceamento dinâmico obrigatório dentro do grau G16 (ISO 1940-1) para velocidades de rotação de até 3.000 rpm em tratores modernos. Os discos de embreagem, por sua vez, utilizam ferro fundido nodular GGG40 cementado ou nitretado para atingir dureza superficial de 350 a 450 HB na face de contato, garantindo vida útil superior a 3.000 horas em condições normais de trabalho. A seleção do material e do tratamento térmico para cada componente é função direta do regime de solicitação mecânica, da temperatura de operação e do ambiente corrosivo ao qual a peça será exposta durante a vida útil do trator.

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Resistência ao impacto e à fadiga para trabalho pesado

Os componentes agrícolas em ferro fundido são submetidos a solicitações dinâmicas severas que combinam cargas de impacto — causadas por pedras, tocos e irregularidades do terreno — com cargas cíclicas de fadiga resultantes da rotação contínua de eixos e engrenagens. A resistência ao impacto é particularmente crítica em componentes como os braços inferiores do engate de três pontos, que podem receber cargas de impacto de até 8 toneladas-força durante o engate de implementos pesados em movimento. Para essas aplicações, o ferro nodular GGG50 com matriz perlítica oferece resistência ao impacto Charpy (entalhado) entre 10 e 15 J/cm² a 20 °C, enquanto o ferro cinzento GG25 apresenta valores típicos de apenas 3 a 5 J/cm² — insuficientes para aplicações com risco de impacto. Por isso, todos os componentes do sistema de engate e levante hidráulico são especificados obrigatoriamente em ferro nodular, não se admitindo ferro cinzento nessa aplicação por risco de fratura frágil.

Já a resistência à fadiga é o critério determinante para eixos, engrenagens e cubos de roda, componentes que acumulam milhões de ciclos de tensão ao longo da vida útil do trator. O limite de fadiga do ferro nodular GGG50 para vida infinita (10⁷ ciclos) situa-se entre 190 e 230 MPa para solicitações alternadas (R = -1) em corpos de prova polidos, caindo para 120 a 150 MPa em peças reais com concentradores de tensão típicos (canais de chaveta, furos transversais, mudanças de seção). Fatores metalúrgicos que influenciam diretamente a resistência à fadiga incluem o tamanho médio dos nódulos de grafita (idealmente entre 20 e 40 µm), a proporção de matriz perlitica (quanto maior, maior a resistência à fadiga), e a ausência de carbonetos primários (cementita) que atuariam como pontos de iniciação de trinca. O tratamento superficial por jateamento com granalha (shot peening) é aplicado em componentes críticos, como cubos de roda e engrenagens, para introduzir tensões compressivas residuais na camada superficial (200 a 400 MPa), elevando o limite de fadiga em 15% a 25%. Tratores agrícolas modernos são projetados para vida útil de 8.000 a 12.000 horas de operação, o que corresponde a aproximadamente 15 a 25 milhões de ciclos nos componentes mais solicitados.

Especificação para engrenagens agrícolas

As engrenagens agrícolas fabricadas em ferro fundido atendem a aplicações específicas dentro do sistema de transmissão de tratores, principalmente os pares de engrenagens de baixa rotação e alto torque do sistema de redução final e da tomada de potência (TDP). Diferentemente das engrenagens de alta rotação da caixa de câmbio — que em tratores modernos são fabricadas em aço liga cementado (AISI 8620, DIN 16MnCr5) — as engrenagens de redução final operam entre 200 e 800 rpm com torques de 2.000 a 6.000 Nm, e podem ser fabricadas em ferro nodular GGG70 (EN-GJS-700-2) com tratamento de normalização, atingindo dureza entre 250 e 300 HB e resistência ao escoamento de 450 MPa. A especificação metalúrgica para essas engrenagens exige que 80% a 90% da matriz seja perlitica fina, com nódulos de grafita pequenos (diâmetro equivalente entre 15 e 30 µm) e contagem mínima de 100 nódulos/mm² conforme ASTM E2567. A presença de carbonetos deve ser inferior a 1% da área para não comprometer a usinabilidade dos dentes.

A geometria dos dentes segue os padrões da norma AGMA 2001-D04 ou ISO 6336 para dimensionamento de engrenagens cilíndricas de dentes retos ou helicoidais aplicadas a tratores agrícolas. O módulo típico para engrenagens de redução final varia de 5 a 10 mm, com ângulo de pressão de 20° e largura de dente entre 40 e 100 mm. A qualidade de usinagem dos dentes segue o grau AGMA 8 a 9 (ou ISO 7 a 8), com tolerância de passo entre dentes adjacentes de ±0,015 mm e desvio de perfil inferior a 0,025 mm. O fresamento dos dentes é realizado em fresadoras CNC de 5 eixos com pastilhas de metal duro classe K10 a K20, com acabamento por shaving ou retificação quando necessário para aplicações de maior precisão. O tratamento de superfície adicional por shot peening (intensidade Almen 0,25 a 0,40 mmA) é aplicado na raiz dos dentes para aumentar a resistência à fadiga por flexão. A vida útil esperada para engrenagens agrícolas de ferro nodular em serviço normal é de 5.000 a 8.000 horas, metade da vida de engrenagens em aço cementado, porém com custo entre 40% e 60% inferior, justificando sua aplicação em componentes de reposição mais acessível e tratores de menor exigência.

Proteção anticorrosiva para ambiente agrícola

O ambiente agrícola expõe os componentes de ferro fundido a condições corrosivas agressivas que combinam umidade elevada (campos irrigados, regiões de alta pluviosidade), contato com fertilizantes químicos (ureia, NPK, cloreto de potássio), defensivos agrícolas (herbicidas, fungicidas, inseticidas com pH entre 4 e 9) e solo com sais dissolvidos. O ferro fundido, embora mais resistente à corrosão atmosférica que o aço carbono devido à camada superficial de grafita (que forma uma barreira parcial contra a oxidação), ainda requer proteção superficial adequada para garantir a vida útil projetada. 

O sistema de proteção mais difundido para peças externas é a pintura com tinta epóxi bicomponente com teor de sólidos mínimo de 80%, aplicada sobre superfície jateada com grau de limpeza Sa 2½ (ISO 8501-1) e perfil de ancoragem de 50 a 75 µm. A espessura de película seca (EPS) mínima é de 120 µm para peças internas e 200 µm para peças externas, aplicada em duas demãos com intervalo máximo de 4 horas entre elas.

Para componentes que operam submersos em óleo — como engrenagens e cubos dentro da transmissão — a proteção anticorrosiva é garantida pelo próprio lubrificante, mas exige que a superfície usinada esteja livre de carepa de fundição para evitar contaminação do óleo. Nesses casos, o jateamento seguido de selante anticorrosivo oleofílico é suficiente. Já para peças expostas diretamente a fertilizantes e defensivos, como os braços do levante hidráulico, recomenda-se pintura adicional com poliuretano alifático de alta espessura (EPS de 300 µm), resistente à abrasão e a produtos químicos. 

 

Em regiões de alta salinidade do solo ou aplicação intensiva de fertilizantes nitrogenados, a especificação pode evoluir para zincagem por imersão a quente (hot-dip galvanizing) com espessura de 85 a 120 µm, seguida de pintura de acabamento (sistema duplex). O ensaio de nevóa salina (ASTM B117) é o método padrão para validação de sistemas de pintura, com requisito mínimo de 240 horas sem bolhas ou corrosão para peças agrícolas de ferro fundido. A manutenção periódica da pintura deve ser prevista a cada 12 a 18 meses para tratores em uso intensivo, com retoque das áreas danificadas por impacto de pedras ou contato com implementos.

Redução de peso mantendo resistência

A redução de peso dos componentes agrícolas em ferro fundido tornou-se uma demanda crescente dos fabricantes de tratores, impulsionada pela necessidade de maior eficiência energética, menor compactação do solo e aumento da capacidade de carga útil sem elevar o peso total do veículo. A principal estratégia para redução de peso é a otimização topológica auxiliada por análise de elementos finitos (FEA), que permite redistribuir o material dos componentes para as regiões de maior tensão e remover massa das regiões de baixa solicitação mecânica. Em um cubo de roda traseiro de trator de 180 cv, por exemplo, a aplicação de otimização topológica combinada com a mudança do ferro cinzento GG25 para o nodular GGG60 resultou em redução de peso de 18% — de 22 kg para 18 kg — mantendo o mesmo fator de segurança (mínimo de 3:1 sob carga máxima). Essa estratégia depende de simulação computacional que modela as cargas estáticas e dinâmicas atuantes no componente: aração, gradagem, transporte e carregamento frontal.

Além da otimização topológica, a evolução metalúrgica dos ferros fundidos de alta resistência contribui para a redução de peso sem perda de desempenho. Os ferros fundidos de grafita compactada (CGI, ou vermicular — EN-GJV-400 e EN-GJV-450) oferecem resistência à tração entre 350 e 450 MPa com condutividade térmica de 35 a 40 W/mK, preenchendo a lacuna entre o ferro cinzento e o nodular para aplicações como cabeçotes de motor e carcaças de freio, onde a combinação de resistência mecânica e dissipação térmica é crítica. 

 

O uso de ferros fundidos de alta resistência com matriz bainítica obtida por austêmpera (ADI — Austempered Ductile Iron) permite atingir resistências de 850 a 1.200 MPa com alongamento de 6% a 10%, viabilizando a substituição de aços forjados em engrenagens e cubos com redução de peso de 10% a 15% em relação ao ferro nodular convencional. A relação resistência-peso do ADI (cerca de 130 MPa·cm³/g) supera a do alumínio fundido (cerca de 110 MPa·cm³/g) para esforços de fadiga, posicionando o material como a alternativa mais competitiva para componentes estruturais de tratores que precisam aliar leveza à durabilidade característica dos ferros fundidos. O desafio tecnológico atual é adaptar os processos de fundição para produzir peças com paredes de 4 a 6 mm — metade da espessura típica — mantendo a fluidez do metal líquido e evitando defeitos de enchimento.

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Principais componentes de tratores agrícolas em ferro fundido

Os tratores agrícolas dependem de componentes estrutural e funcionalmente fabricados em ferro fundido para suportar as condições extremas de trabalho no campo, que combinam cargas mecânicas elevadas, vibração constante, exposição a intempéries e contato com solo abrasivo. Entre os principais componentes, os blocos de motor e os cabeçotes são fundidos em ferro fundido cinzento GG25 (EN-GJL-250), aproveitando a excelente condutividade térmica do material — aproximadamente 50 W/mK, cerca de 2,5 vezes superior à do aço — que permite dissipação eficiente do calor gerado pela combustão interna. As carcaças de transmissão e diferenciais, igualmente em ferro cinzento GG20 ou GG25, beneficiam-se da capacidade de amortecimento de vibração do material para reduzir o ruído do acionamento das engrenagens. Os suportes estruturais do chassi, como os braços de levante hidráulico e suportes de eixo dianteiro, migraram do aço fundido para o ferro nodular GGG50 ou GGG60 nas últimas duas décadas, permitindo redução de peso combinada com ganho de resistência à fadiga.

Componentes de desgaste programado, como as camisas de cilindro, são produzidos em ferro fundido perlitico ligado ao molibdênio (0,3% a 0,5% Mo) e cromo (0,3% a 0,5% Cr), com dureza superficial entre 240 e 300 HB e estrutura de grafita tipo A (norma ASTM A247) para melhor retenção de óleo. Os volantes de motor e discos de embreagem também são peças clássicas de ferro fundido: o volante é fabricado em GG25 com balanceamento dinâmico obrigatório dentro do grau G16 (ISO 1940-1) para velocidades de rotação de até 3.000 rpm em tratores modernos. Os discos de embreagem, por sua vez, utilizam ferro fundido nodular GGG40 cementado ou nitretado para atingir dureza superficial de 350 a 450 HB na face de contato, garantindo vida útil superior a 3.000 horas em condições normais de trabalho. A seleção do material e do tratamento térmico para cada componente é função direta do regime de solicitação mecânica, da temperatura de operação e do ambiente corrosivo ao qual a peça será exposta durante a vida útil do trator.

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Resistência ao impacto e à fadiga para trabalho pesado

Os componentes agrícolas em ferro fundido são submetidos a solicitações dinâmicas severas que combinam cargas de impacto — causadas por pedras, tocos e irregularidades do terreno — com cargas cíclicas de fadiga resultantes da rotação contínua de eixos e engrenagens. A resistência ao impacto é particularmente crítica em componentes como os braços inferiores do engate de três pontos, que podem receber cargas de impacto de até 8 toneladas-força durante o engate de implementos pesados em movimento. Para essas aplicações, o ferro nodular GGG50 com matriz perlítica oferece resistência ao impacto Charpy (entalhado) entre 10 e 15 J/cm² a 20 °C, enquanto o ferro cinzento GG25 apresenta valores típicos de apenas 3 a 5 J/cm² — insuficientes para aplicações com risco de impacto. Por isso, todos os componentes do sistema de engate e levante hidráulico são especificados obrigatoriamente em ferro nodular, não se admitindo ferro cinzento nessa aplicação por risco de fratura frágil.

Já a resistência à fadiga é o critério determinante para eixos, engrenagens e cubos de roda, componentes que acumulam milhões de ciclos de tensão ao longo da vida útil do trator. O limite de fadiga do ferro nodular GGG50 para vida infinita (10⁷ ciclos) situa-se entre 190 e 230 MPa para solicitações alternadas (R = -1) em corpos de prova polidos, caindo para 120 a 150 MPa em peças reais com concentradores de tensão típicos (canais de chaveta, furos transversais, mudanças de seção). Fatores metalúrgicos que influenciam diretamente a resistência à fadiga incluem o tamanho médio dos nódulos de grafita (idealmente entre 20 e 40 µm), a proporção de matriz perlitica (quanto maior, maior a resistência à fadiga), e a ausência de carbonetos primários (cementita) que atuariam como pontos de iniciação de trinca. O tratamento superficial por jateamento com granalha (shot peening) é aplicado em componentes críticos, como cubos de roda e engrenagens, para introduzir tensões compressivas residuais na camada superficial (200 a 400 MPa), elevando o limite de fadiga em 15% a 25%. Tratores agrícolas modernos são projetados para vida útil de 8.000 a 12.000 horas de operação, o que corresponde a aproximadamente 15 a 25 milhões de ciclos nos componentes mais solicitados.

Especificação para engrenagens agrícolas

As engrenagens agrícolas fabricadas em ferro fundido atendem a aplicações específicas dentro do sistema de transmissão de tratores, principalmente os pares de engrenagens de baixa rotação e alto torque do sistema de redução final e da tomada de potência (TDP). Diferentemente das engrenagens de alta rotação da caixa de câmbio — que em tratores modernos são fabricadas em aço liga cementado (AISI 8620, DIN 16MnCr5) — as engrenagens de redução final operam entre 200 e 800 rpm com torques de 2.000 a 6.000 Nm, e podem ser fabricadas em ferro nodular GGG70 (EN-GJS-700-2) com tratamento de normalização, atingindo dureza entre 250 e 300 HB e resistência ao escoamento de 450 MPa. A especificação metalúrgica para essas engrenagens exige que 80% a 90% da matriz seja perlitica fina, com nódulos de grafita pequenos (diâmetro equivalente entre 15 e 30 µm) e contagem mínima de 100 nódulos/mm² conforme ASTM E2567. A presença de carbonetos deve ser inferior a 1% da área para não comprometer a usinabilidade dos dentes.

A geometria dos dentes segue os padrões da norma AGMA 2001-D04 ou ISO 6336 para dimensionamento de engrenagens cilíndricas de dentes retos ou helicoidais aplicadas a tratores agrícolas. O módulo típico para engrenagens de redução final varia de 5 a 10 mm, com ângulo de pressão de 20° e largura de dente entre 40 e 100 mm. A qualidade de usinagem dos dentes segue o grau AGMA 8 a 9 (ou ISO 7 a 8), com tolerância de passo entre dentes adjacentes de ±0,015 mm e desvio de perfil inferior a 0,025 mm. O fresamento dos dentes é realizado em fresadoras CNC de 5 eixos com pastilhas de metal duro classe K10 a K20, com acabamento por shaving ou retificação quando necessário para aplicações de maior precisão. O tratamento de superfície adicional por shot peening (intensidade Almen 0,25 a 0,40 mmA) é aplicado na raiz dos dentes para aumentar a resistência à fadiga por flexão. A vida útil esperada para engrenagens agrícolas de ferro nodular em serviço normal é de 5.000 a 8.000 horas, metade da vida de engrenagens em aço cementado, porém com custo entre 40% e 60% inferior, justificando sua aplicação em componentes de reposição mais acessível e tratores de menor exigência.

Proteção anticorrosiva para ambiente agrícola

O ambiente agrícola expõe os componentes de ferro fundido a condições corrosivas agressivas que combinam umidade elevada (campos irrigados, regiões de alta pluviosidade), contato com fertilizantes químicos (ureia, NPK, cloreto de potássio), defensivos agrícolas (herbicidas, fungicidas, inseticidas com pH entre 4 e 9) e solo com sais dissolvidos. O ferro fundido, embora mais resistente à corrosão atmosférica que o aço carbono devido à camada superficial de grafita (que forma uma barreira parcial contra a oxidação), ainda requer proteção superficial adequada para garantir a vida útil projetada. 

O sistema de proteção mais difundido para peças externas é a pintura com tinta epóxi bicomponente com teor de sólidos mínimo de 80%, aplicada sobre superfície jateada com grau de limpeza Sa 2½ (ISO 8501-1) e perfil de ancoragem de 50 a 75 µm. A espessura de película seca (EPS) mínima é de 120 µm para peças internas e 200 µm para peças externas, aplicada em duas demãos com intervalo máximo de 4 horas entre elas.

Para componentes que operam submersos em óleo — como engrenagens e cubos dentro da transmissão — a proteção anticorrosiva é garantida pelo próprio lubrificante, mas exige que a superfície usinada esteja livre de carepa de fundição para evitar contaminação do óleo. Nesses casos, o jateamento seguido de selante anticorrosivo oleofílico é suficiente. Já para peças expostas diretamente a fertilizantes e defensivos, como os braços do levante hidráulico, recomenda-se pintura adicional com poliuretano alifático de alta espessura (EPS de 300 µm), resistente à abrasão e a produtos químicos. 

 

Em regiões de alta salinidade do solo ou aplicação intensiva de fertilizantes nitrogenados, a especificação pode evoluir para zincagem por imersão a quente (hot-dip galvanizing) com espessura de 85 a 120 µm, seguida de pintura de acabamento (sistema duplex). O ensaio de nevóa salina (ASTM B117) é o método padrão para validação de sistemas de pintura, com requisito mínimo de 240 horas sem bolhas ou corrosão para peças agrícolas de ferro fundido. A manutenção periódica da pintura deve ser prevista a cada 12 a 18 meses para tratores em uso intensivo, com retoque das áreas danificadas por impacto de pedras ou contato com implementos.

Redução de peso mantendo resistência

A redução de peso dos componentes agrícolas em ferro fundido tornou-se uma demanda crescente dos fabricantes de tratores, impulsionada pela necessidade de maior eficiência energética, menor compactação do solo e aumento da capacidade de carga útil sem elevar o peso total do veículo. A principal estratégia para redução de peso é a otimização topológica auxiliada por análise de elementos finitos (FEA), que permite redistribuir o material dos componentes para as regiões de maior tensão e remover massa das regiões de baixa solicitação mecânica. Em um cubo de roda traseiro de trator de 180 cv, por exemplo, a aplicação de otimização topológica combinada com a mudança do ferro cinzento GG25 para o nodular GGG60 resultou em redução de peso de 18% — de 22 kg para 18 kg — mantendo o mesmo fator de segurança (mínimo de 3:1 sob carga máxima). Essa estratégia depende de simulação computacional que modela as cargas estáticas e dinâmicas atuantes no componente: aração, gradagem, transporte e carregamento frontal.

Além da otimização topológica, a evolução metalúrgica dos ferros fundidos de alta resistência contribui para a redução de peso sem perda de desempenho. Os ferros fundidos de grafita compactada (CGI, ou vermicular — EN-GJV-400 e EN-GJV-450) oferecem resistência à tração entre 350 e 450 MPa com condutividade térmica de 35 a 40 W/mK, preenchendo a lacuna entre o ferro cinzento e o nodular para aplicações como cabeçotes de motor e carcaças de freio, onde a combinação de resistência mecânica e dissipação térmica é crítica. 

 

O uso de ferros fundidos de alta resistência com matriz bainítica obtida por austêmpera (ADI — Austempered Ductile Iron) permite atingir resistências de 850 a 1.200 MPa com alongamento de 6% a 10%, viabilizando a substituição de aços forjados em engrenagens e cubos com redução de peso de 10% a 15% em relação ao ferro nodular convencional. A relação resistência-peso do ADI (cerca de 130 MPa·cm³/g) supera a do alumínio fundido (cerca de 110 MPa·cm³/g) para esforços de fadiga, posicionando o material como a alternativa mais competitiva para componentes estruturais de tratores que precisam aliar leveza à durabilidade característica dos ferros fundidos. O desafio tecnológico atual é adaptar os processos de fundição para produzir peças com paredes de 4 a 6 mm — metade da espessura típica — mantendo a fluidez do metal líquido e evitando defeitos de enchimento.

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